Quando um paciente é internado em um hospital, ele espera receber atenção médica cuidadosa, contínua e organizada. No entanto, em muitos locais, inclusive em Rondonópolis, é comum que, durante uma única internação, o paciente seja visto por um médico diferente a cada dia.
Essa prática, que parece ser apenas uma questão de escala de plantão, pode afetar diretamente a qualidade do atendimento, aumentar riscos e elevar os custos do sistema de saúde.
O que é “continuidade de cuidado” — e por que ela importa?
Continuidade de cuidado significa que um mesmo médico acompanha o paciente ao longo da internação. Isso favorece o vínculo, o conhecimento mais profundo do caso clínico e uma tomada de decisão mais segura.
Quando em cada dia há um novo médico, ocorrem:
- Repetição de exames
- Insegurança clínica nas condutas
- Possibilidade de falhas de comunicação
- Aumento no tempo de internação
- Desgaste para o paciente e seus familiares
Como médico atuante, vivencio esse desafio com frequência. E, mais do que isso, mostro abaixo evidências científicas sólidas que comprovam esse impacto.
O que dizem os estudos mais recentes?
A literatura médica internacional é clara: a continuidade médica está associada a melhores desfechos clínicos e menor gasto hospitalar. Abaixo, alguns exemplos recentes:
- 📉 Redução de custos e readmissões: Um estudo publicado no American Journal of Managed Care (2024) mostrou que pacientes com insuficiência cardíaca que receberam cuidado contínuo tiveram menor taxa de mortalidade, menos reinternações e custos 16% menores.
- 🏥 Menos uso de serviços desnecessários: Pesquisadores da BMC Health Services Research (2024) mostraram que a descontinuidade favorece o uso excessivo e redundante de exames e procedimentos.
- ⚠️ Risco de morte até 2,6 vezes maior: Um estudo norueguês com mais de 1 milhão de pacientes revelou que a falta de continuidade no cuidado estava associada a uma mortalidade significativamente maior, principalmente em condições crônicas como insuficiência cardíaca.
A mensagem é clara: quanto maior a fragmentação do cuidado, pior o desfecho para o paciente — e maior o prejuízo para o sistema de saúde.
E o cenário em Rondonópolis?
Aqui em Rondonópolis, essa descontinuidade é frequente. Pacientes internados são frequentemente acompanhados por médicos diferentes a cada plantão. Isso prejudica o acompanhamento clínico, enfraquece o vínculo médico-paciente e compromete a eficiência do cuidado.
Como profissionais de saúde e cidadãos, precisamos nos perguntar:
por que mantemos um modelo que sabemos ser ineficiente e inseguro?
O que pode ser feito?
Felizmente, há soluções viáveis que já foram implementadas com sucesso em outras cidades e países:
- 🔄 Organizar escalas que permitam maior tempo de permanência dos mesmos médicos à frente dos casos
- 📋 Padronizar as transições de plantão com protocolos estruturados
- 👥 Valorizar equipes fixas e multidisciplinares com responsabilidade clínica definida
- 📊 Monitorar indicadores de desfecho, custo e satisfação dos pacientes
Um chamado à mudança
A população merece um atendimento mais seguro, humano e eficiente.
E você, paciente ou profissional da saúde, também pode fazer parte dessa mudança:
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Juntos, podemos transformar a saúde hospitalar.
Dr. Vinicius Silva Freire Alvarenga
Cardiologista – Mestrado em Medicina Cardiovascular pela USP / IDPC
CRM MT 13.248 RQE 6282 e 6283
Atendimento em Rondonópolis – MT


