Dr. Vinicius Silva Freire Alvarenga

Ter o mesmo médico durante toda a internação faz diferença!

Quando um paciente é internado em um hospital, ele espera receber atenção médica cuidadosa, contínua e organizada. No entanto, em muitos locais, inclusive em Rondonópolis, é comum que, durante uma única internação, o paciente seja visto por um médico diferente a cada dia.

Essa prática, que parece ser apenas uma questão de escala de plantão, pode afetar diretamente a qualidade do atendimento, aumentar riscos e elevar os custos do sistema de saúde.

O que é “continuidade de cuidado” — e por que ela importa?

Continuidade de cuidado significa que um mesmo médico acompanha o paciente ao longo da internação. Isso favorece o vínculo, o conhecimento mais profundo do caso clínico e uma tomada de decisão mais segura.

Quando em cada dia há um novo médico, ocorrem:

  • Repetição de exames
  • Insegurança clínica nas condutas
  • Possibilidade de falhas de comunicação
  • Aumento no tempo de internação
  • Desgaste para o paciente e seus familiares

Como médico atuante, vivencio esse desafio com frequência. E, mais do que isso, mostro abaixo evidências científicas sólidas que comprovam esse impacto.

O que dizem os estudos mais recentes?

A literatura médica internacional é clara: a continuidade médica está associada a melhores desfechos clínicos e menor gasto hospitalar. Abaixo, alguns exemplos recentes:

  • 📉 Redução de custos e readmissões: Um estudo publicado no American Journal of Managed Care (2024) mostrou que pacientes com insuficiência cardíaca que receberam cuidado contínuo tiveram menor taxa de mortalidade, menos reinternações e custos 16% menores.
  • 🏥 Menos uso de serviços desnecessários: Pesquisadores da BMC Health Services Research (2024) mostraram que a descontinuidade favorece o uso excessivo e redundante de exames e procedimentos.
  • ⚠️ Risco de morte até 2,6 vezes maior: Um estudo norueguês com mais de 1 milhão de pacientes revelou que a falta de continuidade no cuidado estava associada a uma mortalidade significativamente maior, principalmente em condições crônicas como insuficiência cardíaca.

A mensagem é clara: quanto maior a fragmentação do cuidado, pior o desfecho para o paciente — e maior o prejuízo para o sistema de saúde.

E o cenário em Rondonópolis?

Aqui em Rondonópolis, essa descontinuidade é frequente. Pacientes internados são frequentemente acompanhados por médicos diferentes a cada plantão. Isso prejudica o acompanhamento clínico, enfraquece o vínculo médico-paciente e compromete a eficiência do cuidado.

Como profissionais de saúde e cidadãos, precisamos nos perguntar:
por que mantemos um modelo que sabemos ser ineficiente e inseguro?

O que pode ser feito?

Felizmente, há soluções viáveis que já foram implementadas com sucesso em outras cidades e países:

  • 🔄 Organizar escalas que permitam maior tempo de permanência dos mesmos médicos à frente dos casos
  • 📋 Padronizar as transições de plantão com protocolos estruturados
  • 👥 Valorizar equipes fixas e multidisciplinares com responsabilidade clínica definida
  • 📊 Monitorar indicadores de desfecho, custo e satisfação dos pacientes

Um chamado à mudança

A população merece um atendimento mais seguro, humano e eficiente.

E você, paciente ou profissional da saúde, também pode fazer parte dessa mudança:
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Juntos, podemos transformar a saúde hospitalar.


Dr. Vinicius Silva Freire Alvarenga
Cardiologista – Mestrado em Medicina Cardiovascular pela USP / IDPC
CRM MT 13.248 RQE 6282 e 6283
Atendimento em Rondonópolis – MT

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