🫀 Entenda por que nem todo achado de placa exige stent – e o que diz a ciência mais atual sobre isso
Muitos pacientes em Rondonópolis e região têm procurado atendimento cardiológico após exames de check-up que mostram placas de gordura nas artérias do coração. É comum surgirem dúvidas e preocupações:
“Será que preciso colocar um stent?”, “Tenho risco de infarto?”
Mas as diretrizes mais recentes da cardiologia – brasileiras, americanas e europeias – mostram algo essencial:
👉 Na maioria dos casos de doença coronária estável, o tratamento clínico com medicamentos e mudanças no estilo de vida é suficiente, seguro e, muitas vezes, a melhor opção.
🫀 Placa na coronária: nem sempre é sinal de urgência
Com o aumento dos exames preventivos, é cada vez mais comum o diagnóstico de placas coronarianas em pacientes assintomáticos, atendidos em clínicas e consultórios de cardiologia em Rondonópolis.
Mas é importante saber: descobrir uma placa não significa automaticamente que você precisa de um cateterismo ou angioplastia.
Mesmo quando exames apontam isquemia (como esteira ou cintilografia), a angioplastia não reduz o risco de morte ou infarto em boa parte dos casos.
⚖️ Quando o melhor tratamento é o clínico
O que realmente protege o coração, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a American Heart Association e a Sociedade Europeia de Cardiologia, é:
✅ Controle rigoroso da pressão arterial
✅ Redução do colesterol LDL com estatinas
✅ Parar de fumar
✅ Controle adequado do diabetes
✅ Prática regular de atividade física
✅ Alimentação equilibrada
✅ Acompanhamento contínuo com cardiologista
🔍 Já a revascularização (angioplastia ou cirurgia) só traz benefício real e comprovado em casos muito específicos, como:
- Lesões graves no tronco da coronária esquerda
- Doença em múltiplos vasos em pacientes diabéticos
- Acometimento da artéria descendente anterior proximal
- Fraqueza do músculo cardíaco associada a doença em múltiplos vasos
- Isquemia extensa em exames funcionais
- Angina (dor no peito) que não melhora com medicamentos
Fora dessas situações, a angioplastia não melhora a sobrevida, e ainda expõe o paciente aos riscos de um procedimento invasivo.
🚨 Por que ainda se faz tanta angioplastia desnecessária?
Infelizmente, ainda é comum a realização de procedimentos sem real indicação. Isso ocorre por motivos como:
😟 Medo do próprio médico
Mesmo sabendo que o tratamento clínico seria o ideal, alguns cardiologistas indicam angioplastia por receio de que o paciente procure outro profissional – que, por sua vez, acabará indicando o stent, mesmo de forma equivocada, de qualquer maneira.
Para “não perder o paciente”, preferem intervir logo.
🧠 Pressão emocional do paciente
O paciente tende a aceitar melhor uma complicação de algo que foi feito do que a ideia de “não fazer nada”.
Mas usar os medicamentos certos não é não fazer nada – é a base do tratamento moderno e eficaz.
Além disso, se o paciente não fizer a intervenção e futuramente tiver um infarto, a família pode pensar:
“Talvez, se tivesse colocado o stent, isso não teria acontecido”
Mesmo quando a ciência já demonstrou que isso não é verdade.
🔄 Resistência a abandonar ideias antigas
Ainda é forte a ideia de que “desentupir é sempre o melhor caminho”, mesmo com todas as evidências em contrário.
⚠️ Os riscos pouco comentados da angioplastia
Mesmo sendo um procedimento comum, a angioplastia não é isenta de riscos. Complicações incluem:
- Infarto durante o procedimento
- Sangramentos importantes
- Reações adversas ao contraste
- Dissecção ou perfuração da artéria
- Necessidade de cirurgia cardíaca de urgência
- E, em casos raros, óbito
Ou seja: realizar angioplastia sem indicação real pode transformar um paciente estável e assintomático em um caso grave.
📉 O paradoxo da falsa sensação de “salvamento”
Veja um exemplo real, cada vez mais comum:
Um paciente faz um check-up, descobre uma placa.
Mesmo sem sintomas nem critérios de gravidade, é orientado a fazer angioplastia.
Durante o procedimento, há complicação. Ele passa por procedimentos arriscados de urgência, fica dias internado, mas sobrevive.
Na alta, agradece ao médico:
“O senhor salvou minha vida!”
Mas na realidade, a vida dele não estava em risco naquele momento inicial.
A complicação só surgiu porque ele foi submetido a um procedimento que não precisava ter sido feito.
Esse é o paradoxo: o erro que parece acerto, porque o paciente não sabe que a melhor decisão teria sido justamente não intervir.
❤️ Observação importante: no infarto, a angioplastia salva vidas
Apesar do cuidado com as indicações na doença coronária estável, é essencial destacar:
👉 No infarto agudo do miocárdio, especialmente nas primeiras horas, a angioplastia salva vidas, reduz danos ao coração e melhora o prognóstico.
📌 Ou seja: trata-se de usar o procedimento quando realmente faz diferença na vida do paciente.
A boa medicina sabe quando intervir, quando evitar e como explicar isso com clareza e ética.
✅ Tratamento responsável com cardiologista em Rondonópolis
Se você mora em Rondonópolis ou cidades próximas e descobriu uma placa nas coronárias, não se apresse em buscar um stent.
✅ Procure um cardiologista que siga as diretrizes mais modernas
✅ Que explique com clareza os riscos e benefícios reais
✅ E que coloque a ciência acima da pressa ou do medo
📍 Aqui em Rondonópolis, a boa medicina também sabe dizer quando “não fazer um procedimento” é o melhor cuidado.
Dr. Vinicius Silva Freire Alvarenga
🫀 Cardiologista CRM-MT 13.248 | RQE 6283
⚡ Especialista em Arritmias e Marcapassos pelo InCor – USP
🎓 Mestre em Medicina Cardiovascular – USP/IDPC.


